Inventário de riscos psicossociais: como registrar no PGR
O PGR já tem inventário para ruído e para risco ergonômico. Veja o que entra na linha quando o risco é a própria organização do trabalho.
Quem já monta PGR sabe preencher a linha de ruído, de agente químico ou de risco ergonômico. A dúvida aparece quando o risco é psicossocial: o que exatamente se escreve ali, se o dado veio de um questionário respondido por pessoas?
A linha é do fator, nunca da pessoa
O inventário descreve uma condição da organização do trabalho — ritmo, autonomia, clareza de papel, apoio da liderança, relações, reconhecimento. Nenhuma resposta individual entra no documento, e nenhum nome, diagnóstico ou situação pessoal é registrado. O que entra é o grupo exposto e o grau do risco.
O que cada linha precisa ter
- Fator de risco — o nome técnico do fator avaliado, não o sintoma.
- Grupo exposto — setor, função ou grupo homogêneo, com o número de pessoas.
- Descrição da situação real — o que acontece naquele trabalho que origina o risco.
- Método de avaliação — instrumento utilizado, data da coleta e número de respondentes.
- Grau de risco — resultado da combinação entre severidade e probabilidade, segundo um critério escrito.
- Medidas já existentes — o que a empresa já faz e que reduz aquele fator.
- Medidas necessárias — com responsável e prazo, ligadas ao plano de ação.
- Data da próxima avaliação.
Como graduar o risco
A escala do instrumento não vira grau de risco sozinha: alguém precisa definir como a pontuação se converte em faixa, e como essa faixa se cruza com a severidade esperada e com a quantidade de pessoas expostas. O critério pode ser simples — o que ele não pode é ficar na cabeça de quem fez.
O número importa menos que o critério. Um grau de risco sem critério escrito não sobrevive à primeira pergunta de quem audita.
Anonimato dentro de um documento que circula
O PGR é lido por gente de fora da avaliação. Por isso valem três cuidados simples: resultado só por grupo, nunca individual; grupo pequeno demais é somado a outro ou aparece apenas no total da empresa; e comentários abertos não são transcritos — entram como tema, não como frase.
Essa é também a condição para a próxima rodada funcionar. Uma pessoa que se reconhece no documento não responde de novo, e a empresa perde o dado.
Erros que aparecem com frequência
- Copiar o texto da norma na descrição, sem dizer o que acontece naquele setor.
- Registrar “estresse” ou “ansiedade” como risco — são efeitos possíveis, não fatores da organização do trabalho.
- Inventário sem responsável e sem prazo, que não se conecta a nenhum plano de ação.
- Avaliar a empresa inteira como um bloco só, escondendo o setor onde o risco está.
- Não registrar a data da próxima avaliação, o que deixa o ciclo em aberto.
Quando reavaliar
Além do ciclo periódico, três situações pedem reavaliação: mudança relevante na organização do trabalho (reestruturação, nova escala, mudança de sistema que altera rotina), ocorrência que sinalize dano — afastamento, denúncia, acidente — e a conclusão de medidas do plano, para verificar se o risco de fato caiu.
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A Wohl faz o ciclo inteiro: mapeamento com instrumento validado, relatório técnico para o PGR e plano de ação com evidência.